Comprar um carro elétrico muda a conta de luz de um jeito que pega muita gente de surpresa. Um sistema de carro elétrico e energia solar dimensionado só pra casa, sem contar a recarga, costuma ficar pequeno em poucos meses, e aí a economia que motivou a instalação nunca aparece do jeito esperado.
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ToggleEste artigo mostra a conta completa: quanto um carro elétrico consome de verdade, como somar isso ao consumo da casa, o efeito que a hora da recarga tem no valor da conta (a maioria dos textos sobre o assunto nem menciona isso) e quanto custa, em números de 2026, dimensionar certo desde o início.
Por que dimensionar só pra casa não é suficiente
Um erro comum: o cliente já tem energia solar, compra o carro elétrico depois e assume que o sistema vai absorver a recarga sozinho. Às vezes absorve. Na maioria das vezes, não.
Um carro elétrico rodando de forma regular consome tanta energia quanto uma segunda residência, às vezes mais. Ignorar isso no cálculo é o motivo mais comum de sistema subdimensionado que vemos em quem já andava de carro a combustão e trocou.
Quanto de energia um carro elétrico realmente consome

Depende do modelo, do estilo de condução e do uso de ar-condicionado, mas a maioria dos elétricos vendidos no Brasil consome entre 15 e 20 kWh a cada 100 km rodados. Compactos ficam mais perto de 15, SUVs e picapes elétricas passam de 20.
A tabela abaixo usa 16 kWh/100 km (média realista pra um compacto/sedã popular) pra mostrar quanto isso representa em kWh por mês, e quanto de potência extra (kWp) o sistema solar precisa ganhar só pra cobrir o carro:
| Km rodados por mês | Consumo do carro (kWh/mês) | kWp adicional no sistema |
|---|---|---|
| 500 km | 80 kWh | + 1 kWp |
| 1.000 km | 160 kWh | + 1,5 kWp |
| 1.500 km | 240 kWh | + 2 kWp |
| 2.000 km | 320 kWh | + 2,5 a 3 kWp |
O cálculo do kWp adicional considera a irradiação solar de Belo Horizonte (em torno de 5,2 horas de sol pleno por dia, uma das mais altas do Brasil, segundo o Atlas Solarimétrico do CRESESB) e uma perda média de 20% do sistema (sujeira, temperatura, cabeamento, eficiência do inversor).
Quem roda menos de 500 km por mês, ou carrega o carro só em viagens ocasionais, tende a precisar de bem menos que isso.
kWp ou kWh? A diferença que muda todo o cálculo
ale parar aqui porque esse é o erro técnico mais comum em conteúdo sobre energia solar: confundir kWp com kWh.
kWp é o tamanho do sistema, a potência instalada. kWh é a energia que ele realmente gera ou que a casa (e o carro) consome por mês. Um sistema de “5 kWp” não gera “5 kWp por mês”, ele gera uma quantidade de kWh que depende da irradiação da região, da orientação do telhado e da época do ano. Veja mais sobre isso em quantos kWh compensa instalar energia solar em BH.
Exemplo prático completo
Uma residência com consumo médio de 400 kWh/mês, cujo morador comprou um carro elétrico e roda cerca de 1.200 km por mês (uso diário pra trabalho, algo em torno de 40 km por dia):
- Consumo do carro: 1.200 km × 16 kWh/100 km = 192 kWh/mês
- Consumo total (casa + carro): 400 + 192 = 592 kWh/mês
- kWp necessário: 592 kWh ÷ (5,2 HSP × 30 dias × 0,80 de performance) ≈ 4,7 kWp, arredondado pra cima pra 5 kWp (nunca compensa fechar a conta justa)
Com módulos de aproximadamente 600 Wp, uma das potências mais usadas em sistemas residenciais hoje, isso dá 9 módulos, totalizando cerca de 5,5 kWp de potência instalada.
Instalado, em valores de 2026, um sistema nessa faixa fica entre R$ 23.600,00 e R$ 31.300,00, considerando o intervalo nacional de R$ 4.300,00 a R$ 5.700,00 por kWp (dados de mercado, ABSOLAR/ANEEL).
Carregar de dia ou à noite muda sua economia
Isso quase nenhum conteúdo sobre carro elétrico e energia solar comenta, e faz diferença real no bolso.
Quando você carrega o carro durante o dia, direto da energia que os painéis estão gerando naquele momento (autoconsumo instantâneo), essa energia nunca passa pela rede da Cemig. Não tem cobrança nenhuma sobre ela.
Quando você carrega à noite, ou em qualquer horário sem sol, o carro usa energia da rede normalmente, e o sistema desconta isso dos créditos que a sua geração solar acumulou durante o dia.
Esses créditos, pela regra de transição da Lei 14.300/2022, pagam uma parte da tarifa de uso da rede (o chamado fio B). Em 2026, sistemas conectados nesse ano têm desconto de 20% no fio B, ou seja, pagam 80% dele sobre a energia compensada.
Na prática: quem consegue programar a recarga pro período da tarde, aproveitando a geração direta dos painéis, economiza mais do que quem carrega só à noite usando crédito. Muitos carros e wallboxes já permitem programar horário de recarga, vale configurar isso.
Isso não muda a conclusão (o investimento ainda vale a pena), mas muda a expectativa: quem carrega o carro majoritariamente à noite deve esperar uma economia um pouco menor que o cálculo “bruto” de kWh sugere.

Wallbox: a potência do carregador não é o que define o tamanho do sistema
Ponto que gera confusão: a potência do carregador (wallbox) não é a mesma coisa que a potência do sistema solar.
No Brasil, os modelos mais comuns pra uso residencial são de 7 kW (monofásico) e 11 kW (trifásico). Um wallbox de 7 kW carrega cerca de 40 km de autonomia por hora de recarga; o de 11 kW, cerca de 60 km por hora. Isso define quanto tempo o carro fica ligado carregando, não quantos kWp o sistema solar precisa ter.
O que dimensiona o sistema é o consumo mensal total em kWh (a soma que fizemos acima), não a potência de pico do carregador.
Ainda assim, vale avisar o instalador sobre o wallbox antes da instalação: em alguns casos, especialmente com o de 11 kW, é preciso verificar a capacidade do padrão de entrada da residência junto à Cemig, porque casa e carregador juntos podem exigir um aumento na carga contratada.
Quanto custa e em quanto tempo o investimento se paga
O payback (tempo de retorno) de sistemas residenciais no Brasil fica, em geral, entre 3 e 6 anos. Com carro elétrico na conta, esse prazo costuma ficar dentro da mesma faixa, às vezes até um pouco melhor, porque o valor mensal que deixaria de ser pago à Cemig é maior (mais kWh compensados por mês).
Veja mais sobre isso em energia solar em BH vale a pena em 2026.
O que muda é o investimento inicial, que sobe proporcionalmente ao tamanho do sistema. Não existe atalho honesto aqui: quem quer carregar o carro em casa com energia solar precisa de um sistema maior, e isso custa mais na instalação, só que se paga na mesma velocidade (ou mais rápido) que um sistema comum, porque está evitando uma conta de luz maior todo mês.
Energia solar para carro elétrico em Belo Horizonte e região
Belo Horizonte e a RMBH têm uma das melhores condições do país pra esse tipo de projeto: irradiação média de 5,2 HSP por dia, entre as mais altas do Brasil, e tarifa Cemig residencial que passou de R$ 0,90 por kWh (sem impostos) em 2026, o que torna a conta de energia mais pesada e o retorno do sistema solar mais rápido.
A SR Power atua desde 2016 em BH, RMBH e interior de Minas, com projeto assinado pela Ariana Magalhães (engenheira de energia, PUC Minas) e equipe própria de instalação, sem terceirização.
Pra quem já tem carro elétrico, ou está pensando em comprar um, a conta já entra desde a primeira visita: casa e veículo juntos, não só a casa. Isso evita ter que ampliar o sistema alguns meses depois.
Perguntas frequentes sobre carro elétrico e energia solar
1- Quantos kWp preciso pra carregar um carro elétrico em casa?
Depende de quanto você roda por mês. Como referência, rodando 1.000 km/mês (uso diário moderado) o carro sozinho consome cerca de 160 kWh, o que exige de 1,5 a 2 kWp a mais no sistema, além do necessário pra casa. Quem roda mais de 2.000 km/mês deve considerar de 2,5 a 3 kWp adicionais.
2- Um sistema solar comum consegue carregar o carro, ou preciso de um inversor especial?
Não precisa de inversor especial só por causa do carro. O que muda é o tamanho do sistema (kWp), não o tipo de equipamento. O ponto de atenção é a capacidade elétrica da residência, principalmente com wallbox de 11 kW.
3- Dá pra carregar o carro à noite com energia solar?
Sim, usando o sistema de créditos da geração distribuída: a energia gerada de dia que não é usada na hora vira crédito, compensado na conta. Mas essa energia paga uma parte do fio B (20% de desconto em 2026, pela Lei 14.300). Carregar de dia, direto dos painéis, evita essa cobrança.
4- Qual a diferença entre wallbox de 7 kW e 11 kW? Isso muda o sistema solar?
O de 7 kW (monofásico) carrega cerca de 40 km de autonomia por hora, o de 11 kW (trifásico) cerca de 60 km por hora. A diferença está na velocidade da recarga, não no tamanho do sistema solar, que depende do consumo total em kWh por mês.
5- Comprei o carro depois de já ter energia solar. Dá pra ampliar o sistema?
Sim, desde que haja espaço no telhado e capacidade no inversor (ou seja possível trocar/adicionar). É preciso fazer uma nova homologação junto à Cemig depois da ampliação, igual a uma instalação nova.
6- Energia solar pra carro elétrico vale a pena em Belo Horizonte?
Vale, principalmente pela irradiação alta da região e pela tarifa da Cemig, que está entre as que mais reajustaram nos últimos anos. Quanto maior o consumo (casa + carro), maior a economia mensal evitada, e o payback tende a ficar na mesma faixa de 3 a 6 anos de qualquer sistema residencial bem dimensionado.
Conclusão
Carro elétrico muda a conta de energia solar, mas não da forma que a maioria imagina: não é “colocar mais uma placa e pronto”, é somar consumo real, entender que kWp e kWh são coisas diferentes, e considerar quando você carrega o carro, não só quanto.
Quer saber exatamente quantos kWp o seu caso precisa, casa e carro juntos? A SR Power faz esse dimensionamento gratuitamente, com base no seu consumo real e na sua rotina de recarga.






